O botequim do Campo de Sant'Ana
O romancista conhecia Braga nas suas minudências, incluindo pessoas, costumes, lugares e até factos da chamada história miúda. Assim menciona, por exemplo, entre outros lugares, o antigo Campo de Santana, quase restituído ao uso do tempo de Camilo, e a Arcada com seu botequim original.
"Mandaram-nos debaixo dum renque de arcos, no Campo de Sant' Ana, onde a mão civilizadora, em 1836, salvo erro, colocou o primeiro e único boletim bracarense. Lembra-me, faz hoje cinco anos, ver ali no batente daquela porta um molho de palha painça pendurado. Neste tempo, o botequim não era exclusivo do animal bípede; o viageiro podia almoçar e mais o azemel na mesma locanda; o armário da cavaca e de pão-podre [é o pão-de-ló de outras terras] fornecia o grão e a palha para os dois fregueses económicos. Hoje, não. A botequineira, instrumento involuntário do epigrama aos seus conterrâneos, deixou de acumular os dois géneros de consumo, e desta vez não vendia palha, pelo menos com cartaz à porta. Em compensação, as suas estantes de legítimo pinho amarelo, medraram em aguardente de medronhos, licor de canela e laranjas azedas".
CASTELO BRANCO, Camilo - Duas horas de leitura. 2.ª ed. aumentada. Porto: Em Casa de Cruz Coutinho - Editor, 1858, p. 136.
CASTELO BRANCO, Camilo - Duas horas de leitura. 2.ª ed. aumentada. Porto: Em Casa de Cruz Coutinho - Editor, 1858, p. 136.





