Igreja de Requião
"Enquanto na igreja, depois da missão, se depunha a hóstia nas línguas saburrentas e gretadas das beatas – que engoliam aquela farinha triga como quem devora sevamente um Deus -, cá fora armavam-se no adro dois tabuleiros, assentes em tripeças de engonços, com seus pavilhões de guarda-sóis de paninho azul. Algumas mulheres de aspectos repelentes, sujas da pojeira das jornadas, com os canelos calosos e encodeados, expunham nos tabuleiros as suas mercadorias, e ao mesmo tempo injuriavam-se reciprocamente por velhas rixas invejosas à conta de subornarem freguesas com caramunhas e palavreados. No silêncio do templo, ouvia-se cá de fora: - Arre, bêbeda!
- Cala-te aí, calhamaço!"
CASTELO BRANCO, Camilo - A Brasileira de Prazins : Cenas do Minho. Porto : Edições Caixotim, 2001. p. 190
- Cala-te aí, calhamaço!"
CASTELO BRANCO, Camilo - A Brasileira de Prazins : Cenas do Minho. Porto : Edições Caixotim, 2001. p. 190





