Almoço de El-Rei
"Por fim, vinha o café. As fatias eram torradas ali, no fogareiro. Sua Majestade barrava-as de manteiga nacional – preferia a manteiga do seu país, como a vitela, e o lombo do porco no salpicão português, e o pé do porco nas tripas também portuguesas – tudo do seu país. Que rei patriota! – meditava o abade de Priscos, bispo eleito de Coimbra, esmoncando-se e aparando as lágrimas ternas no alcobaça. No fim do copioso almoço, El-Rei fumava charutos espanhóis, de contrabando; desabotoava o colete, dava arrotos, repoltreava-se na cadeira de sola um pouco desconfortável, e vaporava grandes colunas de fumo que se espiralavam até ao tecto."
CASTELO BRANCO, Camilo - Brasileira de Prazins. OC, 1988, vol. 8, pp. 720-722.
CASTELO BRANCO, Camilo - Brasileira de Prazins. OC, 1988, vol. 8, pp. 720-722.




