Sopa Dourada
"Cheguei a Guiães. Ainda restavam flores nas mimosas do nosso pátio; comi com delícia a sopa dourada da tia Vicência; de tamancos nos pés assisti à ceifa dos milhos. E assim de colheitas a lavras, crestando ao sol das eiras, caçando a perdiz nos matos geados, rachando a melancia fresca na poeira dos arraiais, arranchando a magustos, serandando à candeia, atiçando fogueiras de S. João, enfeitando presépios de Natal, por ali me passaram docemente sete anos, tão atarefados que nunca logrei abrir o Tratado de Direito Civil, e tão singelos que apenas me recordo quando, em vésperas de S. Nicolau, o abade caiu da égua à porta do Brás das Cortes."
QUEIROZ, Eça - A Cidade e as Serras, Livros do Brasil, Lisboa, pág. 23-24
QUEIROZ, Eça - A Cidade e as Serras, Livros do Brasil, Lisboa, pág. 23-24





